Esta coleção é o meu manifesto. Aborda temas como a identidade, a migração e a vida de um emigrante.

Foi inspirada no filme “Terra Estrangeira” com o qual me identifiquei bastante. Desde que o vi tenho carregado na mente alguns pensamentos acerca das mensagens que ele contém.

Trata-se de uma produção Luso-brasileira, dirigido por Walter Sales e Daniela Thomas, e fotografia de Walter Carvalho. A narrativa ocorre entre São Paulo e Lisboa. O contexto do ano em que o filme foi produzido é importante para entender o porquê da escolha deste filme.

O filme foi produzido aquando da queda do Governo de Collor, época em que o Brasil viveu seu primeiro Génesis, logo após a bancarrota do país com este mesmo governo. Vários migrantes deixaram o país à procura de uma vida melhor. No filme Paco, um jovem universitário, vê-se perdido no meio deste desastre e segue para terras estrangeiras à procura de respostas e de uma vida diferente.

A relação que faço com o filme é semelhante ao que se passa hoje, mais uma vez, com o Brasil. A crise política e a eleição de um presidente incapaz faz com que muitas pessoas abandonem a sua terra natal à procura de uma resposta para uma vida melhor.

Mas a narrativa do filme não explora apenas o contexto político e histórico da época. A principal mensagem é a busca de Paco pela sua identidade.

Paco sonha em ser ator e ensaia freneticamente para um teste. O texto que Paco escolhe para interpretar é um excerto de Fausto, de Goethe. Este excerto é citado em vários momentos do filme e, numa breve análise, é possível ver que o próprio trecho do poema acaba por definir a narrativa do filme, delineando o início, o meio e o fim.

O filme também aborda questões mais complexas do emigrante, como a sua identidade, o sonho utópico da vida além, a desilusão e a nostalgia.

Resumindo, o poema tornou-se o elemento que fez com que eu me identificasse tanto com o filme. De certa forma também me sentia um pouco “Paco”, meio perdido e à procura de respostas acerca da minha própria identidade.

Esta coleção foi então inspirada neste filme, e utiliza elementos da fotografia e fragmentos da sua poética para compor a coleção. Mas no fundo há um processo individual e pessoal que foi desenvolvido no decorrer.

“…Que o manto mágico seja meu e me carregue para terras estrangeiras.
Vou levantar…
Que minha vida seja o custo!”

Quanto ao nome da coleção. Wanderlust, é um termo Alemão que descreve um forte desejo de viajar, de explorar o mundo, de ir a qualquer lugar. É um sentimento que me define no momento. Não poderia ter escolhido um tema melhor para esta coleção, afinal de contas, esse sou eu!